No último semestre, uma das atividades da disciplina de Leitura e Produção Textual foi a criação de um texto que dialogasse com um ou mais contos infantis. Escrevi Jona Vermelho e o Pé de Milhão, cuja intertextualidade (diálogo) foi feita com os contos Chapeuzinho Vermelho e João e o Pé de Feijão. O resultado pode ser lido abaixo.
Joana Vermelho e o Pé de Milhão
Pela estrada afora, ela não ia bem sozinha, mas muito bem acompanhada por várias notas de dólar. Finalmente seu pai estava vingado; ela, então, levava doces para comemorar com sua avó. Para que o nobre leitor compreenda os fatos, é necessário contar tudo do início.
Tendo sido enganado, o pai de Joana Vermelho morreu e deixou a família em situação difícil. Nossa heroína convenceu a mãe de que era necessário vender a única vaca que possuíam, a fim de que pudessem comer alguma coisa, o que não acontecia há dias. Sua mãe pensou, pensou e decidiu que seria preferível fazer isso a ter de matar e comer a vaquinha, que era praticamente da família. A menina, então, seguiu com o bicho para a cidade, onde encontrou um açougueiro, que ofereceu sementes mágicas a ela. Joana, primeiramente, recusou a oferta, já que aprendeu na escola e em casa que jamais deveria consumir drogas. Mas o homem lhe explicou que as sementes eram de milho, de um milho especial, milho gigante.
Convencida de que aquela seria uma excelente alternativa de sustento, Joana aceitou a oferta e foi correndo para casa. No caminho, ia se perguntando: “Por que será que aquele açougueiro tem os olhos, o nariz e a boca tão grandes?”. Não se demorou muito tempo em suas indagações, pois isso é complicado quando se tem déficit de atenção somado à síndrome do pensamento acelerado.
Chegando a sua casa, contou tudo à mãe, que, furiosa, lançou as sementes longe, chorando e indo dormir com fome. Joana não compreendeu a reação de sua genitora e foi olhar para o horizonte, pela janela. Notou que a semente imediatamente germinou, e o pé de milho começou a crescer no mesmo instante. Viu que ele era enorme, tão grande que atravessava as nuvens e sumia por entre elas.
Mesmo sem aparecer uma fada, a menina se encheu de coragem e escalou pelos milhos gigantes. Já no topo, percebeu que havia ali uma mansão muito luxuosa. Bateu à porta. Uma mulher elegante atendeu e convidou nossa heroína a entrar. Ela entrou; as duas conversaram muito e tomaram chá juntas. O marido da mulher chegou, voltando de Brasília, e esta, com medo de que ele visse a menina ali e se irritasse, escondeu Joana no closet. A pequena observava o homem, escondida, enquanto ele se gabava à mulher por ter conseguido fazer seus companheiros votarem o aumento seus próprios salários em menos de cinco minutos, postergando a votação do aumento do salário mínimo. Foi nesse momento que nossa heroína se deu conta de que aquele era um dos homens que enganaram seu pai, levando-o a um colapso cardíaco. Seu pai havia votado naquele traidor.
Quando o homem e sua esposa dormiram, Joana saiu do armário, no sentido literal da expressão, e descobriu quanta riqueza os dois conquistaram às custas do sacrifício de muitos trabalhadores honestos. Decidiu, então, apoderar-se de tudo o que pudesse naquele momento, a fim de vingar seu pai. Pegou, primeiro, as barras de ouro que eram guardadas no cofre; depois os papéis de ações; documentos de uma conta aberta na Suíça; e, por último, a peça mais importante: uma cueca dobrada com vários dólares dentro. Colocou tudo numa sacola. Naquele instante, o político despertou, viu a menina e pôs-se a correr atrás dela. Ela desceu pelo pé de milho na velocidade cinco, sendo perseguida pelo político. Chegando ao chão, Joana cortou a planta pela raiz, derrubando tudo. O político caiu no chão de cabeça, rachou o crânio e “afogou-se num mar de lama”, entrando em óbito.
Exultante, Joana Vermelho correu para contar a notícia à mãe, que ficou muito feliz e preparou doces para a filha comemorar com a avó. Sua família e as famílias dos milhões de brasileiros trabalhadores e honestos estavam, em parte, vingadas. Restava, agora, plantar outras sementes mágicas e encontrar mais mansões e seus moradores para dar continuidade à vingança.
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